terça-feira, 25 de agosto de 2015

De antemão

se estiver de passagem
me abrace
me pegue nas mãos
me beije a boca
me toque o corpo

mas em hipótese alguma
me toque o coração
ou terá que levar consigo
a certeza que o amor 
esqueceu as malas em meu peito 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

DESAMOR

E todo esse desamor que você me deu, eu devolvo sorrindo pro guarda da estação pela manhã enquanto desço correndo para a plataforma. Devolvo em forma de bom dia, que dou pra velhinha que esbarra em mim com seu saco de pão e um olhar doce pelas ruas do Meier. Devolvo com um abraço na minha amiga da área da limpeza da faculdade. Esse desamor eu transformo na água que rego a minha begônia depois do almoço e também no boa tarde animado que desejo pro motorista do central que pego na Dutra pra ir a maré. Devolvo com muita gargalhada e riso fácil aos meus amigos. Devolvo quando na volta pela Brasil, vejo o alaranjado do céu e chegando de volta na Dutra, vejo através da janela do central, o sol se pondo por trás das montanhas e então percebo que o amor está em tudo e não preciso esperar de ti.

sábado, 8 de agosto de 2015

Crônica de Morro Agudo

O camelô tá vendendo mochila no trem e aceitando cartão. Esse ai entende de empreendedorismo mesmo. Sair da estação de comendador e dar de cara com essa serra do vulcão, e esse sol se pondo é um calmante mais potente que rivotril. Os caras da estação estão sempre com um sorriso no rosto, deve ser por isso que meu pai trabalhou como ambulante em uma passarela por mais de 30 anos. Algo de bom deve ter nesse local de passagem. O ovo tá 2,70. Já ia me esquecendo que amanhã é dia dos pais, preciso comprar algo. Vai essa camisa preta e branca, remete ao botafogo, acho que o coroa vai gostar. Toca Ludmilla na loja, todas as moças, incluindo vendedoras e clientes, começam a disputar, sutilmente, quem canta mais bonito. Entrei na disputa do funk melody. Sai da loja sorrindo. O centro de Morro Agudo me deixa confusa com tanta gente, sons, carros, bicicletas, motos, ônibus, camelôs, barracas. Haja interferências visuais e sonoras no meu pensamento. Aqui é caótico mas eu amo saber que cheguei no meu lugar. A praça está linda com os grafites novos. Que legal, abriram um café na minha esquina, espero que prospere o negócio. Subir minha rua me cansa mais que todo o trajeto da zona sul até aqui. Nada como berrar e bater no portão, e com um sorriso mostrar pra quem abriu, que to de volta.

ESTRADA

na estrada da sensibilidade
acompanhada de medos e de dor
sozinha não sou suficiente
para seguir qualquer caminho
com esse peito vazio de amor

AFAGO

a melancolia 
faz com que eu busque 
nos abraços imaginários
o afago das dores
o alívio necessário

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

poesia concreta

 em cada curva 
           do poema
                  na métrica 
                          da poesia
                          nas entre linhas 
                  na frase 
               não dita
     há partes de mim 
ali escondida 

Mulher Poesia

na ausência
dos teus beijos
me faço poesia
pra ser lida
pelos seus lábios

domingo, 2 de agosto de 2015

FALTA

não sei se é o frio
a madrugada, a solidão
mas o amor anda fazendo falta 
pra esse cansado coração.

sábado, 1 de agosto de 2015

ESCOLHAS

se me veres corcunda
não estranhe
é que ando
pra tudo que é canto
com o peso
das minhas escolhas
que me fazem
sofrer um tanto

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