terça-feira, 30 de junho de 2015

SAGRADO

te mordo, te tenho
te sinto e faço

não te escondo
jamais te renego

te levo, te elevo
venero e guardo

e no altar de seu quarto santo
de joelhos te pago, com pecado

o que te confesso
despida e descalça

oferecendo, sem sacrifício
o meu corpo benzido

com seu suor e paixão
e conquisto no gozo do prazer

o seu santo e sagrado
perdão



segunda-feira, 29 de junho de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

SOZINHA


sem chão
me desfaço em fiapos
estou sem a paz
sem minha sorte

se foi o amor
e com ele o repouso
fiquei sem meu cais
sem meu norte

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As férias de Juliet

Ela acordou. Era o seu primeiro dia de férias da faculdade. Sentou na cama e tocou com a ponta dos dedos dos pés no chão gelado. Sentiu um calafrio correr pelo corpo. Foi calçar o chinelo e um deles estava virado pra baixo. Pensou na mãe e sorriu. Tirou a calcinha do rabo. Abriu a janela azul para o sol iluminar sua begônia vermelha. Foi até a cozinha e colocou café na sua caneca do Marlon Brando. Voltou para o quarto e sentada na cama com seu pijama furado começou a conversar com a begônia. Fazia frio, mas o dia estava iluminado. E a planta era uma companhia ideal naquela tarde de segunda feira ociosa.

domingo, 7 de junho de 2015

AFETIVIDADE

Meu quarto tem uma estética que tem um valor emocional muito grande pra mim. A telha amarela gema com buraco de bala perdida, a janela que eu mesma pintei de azul, as paredes rabiscadas com frases minhas. 
Meu quarto é meu mundo, nele está tudo que me identifico, meus livros, minha máquina de escrever, meus filmes, quadros. Foi ele que me acolheu quando adoeci e tive que passar bastante tempo redescobrindo seus detalhes, criando vínculos com as teias de aranhas, as rachaduras na parede, saber exatamente onde estão as goteiras e poder livrar minha vó delas. O meu quarto é um local de experimentação, de ritual, de encontros, de explosão, de criação.
Pra uns é um cômodo pobre como outro qualquer. Pra mim é uma extensão do meu eu! 

PARTIDA


Quando você perceber
os erros comprarão as passagens
quando você ver
seu ego, estará me passando as bagagens
quando você lê
terei escrito durante a viagem
quando seu orgulho morrer
talvez, meu bem, já será tarde.

Buraco no teto da bala perdida

Todos os dias quando acordo, olho para o buraco de bala perdida no meu teto, vejo a luz entrar e me dou conta que é dia.
A 'luz' pode ser entendida de diversas maneiras. Essa diferença entre o total escuro do meu quarto e a luz que entra, bem fininha, através da 'violência' da bala perdida pode ser necessária para entender a vida. Entender que mudanças ocorrem quando a gente rompe algo, quebra, racha e assim adentrar a estranheza, a novidade, a consciência. Talvez sirva também, para perceber que existe um mundo lá fora. E que meu ambiente, meu mundo, minha vida esteja necessitando de uma novidade, uma renovada, e a luz que me faz enxergar isso.
Eu sou feita de rachaduras nas minhas paredes, de objetos velhos, de buracos, de rompimentos. Sou cheia de marcas, defeitos de fábrica. Eu não me importo, tenho como tendência ver beleza no meu caos.

SOU MENINA DO MORRO


Meu morro é plano
nele tem comércio, igrejas
e até bancos.
Mas para dentro do morro
não tem segurança, investimento
as crianças lá do morro
não usam a rua como divertimento.
Meu morro tem demandas
o povo é mal visto, desrespeitado
somos um povo trabalhador
mas socialmente, marginalizados.
Pelo o meu morro que tanto amo
eu brigo, eu luto
porque meu morro não é o plano
meu morro é o Agudo.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A pontinha do Nariz


Adoro quando ele encosta a ponta do nariz na lateral do meu rosto. E vai esfregando paulatinamente, com os olhos fechados, de uma ponta a outra. Deixo acontecer o ballet dos toques dele em mim. E quase sempre depois, ele segura o meu rosto com aquelas mãos macias e quentes, e começa a me beijar de forma lenta e sútil. Beijos delicados, em toda parte. Tudo isso me acalma e me faz sentir no céu. Adoro quando beija os meus olhos. E gosto ainda mais quando beija minha testa. Os gestos pequenos, os detalhes só fazem com que meu amor aumente, se é que isso seja possível.
Os dias sem os sublimes carinhos do meu amado se tornam difíceis de serem enfrentados.

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