quinta-feira, 28 de maio de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SOBRE PAUSAR A VIDA

Recolhida num canto
jogada de lado
enfiada num buraco do quarto

Se escondendo do mundo
cansada dos desgastes
dos problemas e dos noticiários

Sem fome, sem sonhos
mal arrumada, mal alimentada
descabelada

Se cobre e fecha os olhos
fez da cama o refúgio
para pausar a vida
para fugir do mundo.

domingo, 24 de maio de 2015

MATE UM AMOR A PREÇO DE BANANA


veio à tona que
desejos e ambições
são maiores que afeto
em poucos palmos
de distância do meu rosto
vi a ganância matar o amor
por interesses e desejos
que afetam as relações interpessoais
fizeram de tudo, que o dinheiro compra
para assassinar o que não tem preço

quinta-feira, 14 de maio de 2015

RAMAL DA PAIXÃO

Meu coração
ia
 expresso
para a estação 
do amor
Desde que, em Anchieta
te viu na estação
meu coração
virou parador

sábado, 9 de maio de 2015

sobrevivência

a realidade me grita
ouço e vou até ela
me empurra na cama,
abre minha boca
e mete quatro cartelas 
de ansiolítico na minha goela
tudo de uma só vez
- porra, espera
tenho que mostrar pros meus que eu consegui
não é hora de eu desisti
ela, cruel, sorri
sai de de perto e eu corri
fui até a esquina
lembrei do chevete do Paulin

sem tempo de explicações, pedi
me socorre ai!
caralho, moça
fim do mês, tenho nem da gasolina
posso fazer nada por ti
já quase apagando,
ouço orações
fui então até o portão da dona Maria

bíblias, varoas e varões
ficou tudo escuro.
Acho que me fudi.
está repreendido em nome de jesus- eu ouvi.
hospital, acordei
veia furada
porrada de soro
alta dada
neguei, relutei.
voltar pra aquela desgraçada?
ela grita novamente.
corri, me tranquei no quarto,
deixei-a batendo na porta, sozinha.
acho que a realidade
quer me fazer parar

mas prefiro me trancar
reclusa e sozinha
achando forças 
no quarto caótico
pra vida
prolongar.

Ígneo

por de trás daquela barba
o menino
sereno, inócuo
que clama por abrigo.

por de trás daquele casaco
o peito
que esquenta com seus pelos
meus pequenos seios.

quando desnudos,
adormecemos.
abraçados no leito
do ígneo amor
que tecemos

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