sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PLATAFORMA 8, ramal Japeri.


5 minutos para o trem sair. Corremos e não havia mais lugar. A todo instante descanso encostando a minha cabeça em seu ombro. A moça atrás de mim reclama, diz que estou a apertando. Talvez esteja incomodada com nossos beijos e carinhos em pleno trem lotado. Ambulantes gritam, mas estou surda. O que será que dizem? Só ouço que sua voz dizendo que me ama. Olho o seu rosto e vejo o semblante de apaixonado. Mas vejo em volta só rostos cansados, suados. Me sinto mal por um instante, por amar demais e por não ser como a maioria das pessoas que não fazem as coisas por medo do que vão falar ou pensar. Sou intensa e verdadeira. E por mais que minha consciência pesasse por saber que todos ali nos reprovavam, só quero continuar te amando.
Me coloco na sua frente, você me abraça pela cintura beijando meu pescoço sutilmente. Seguimos assim no meio da multidão. Apertadinhos, esmagados mas nos tratando de modo singelo e cheio de beleza. Eu te falo de amor, você diz que quer logo dá bisnetos ao seu avô. Eu te olho e sorrio. Recado dado e entendido. Lágrimas dançam em nossos rostos, e borra o traço do meu delineador. Quietinha levanto a cabeça após secar as lágrimas de emoção. Falamos de como seria o nosso bebê, e mesmo sabendo que não podemos ter um agora já ficamos emocionados e ansiosos com a ideia. Pausa para olhar a porta que abriu. Ricardo de Albuquerque. Começa então a despedida daquele amor que nunca termina. Você, entre beijos e olhares, me diz que não importa os outros nem as más livres. Diz que somos maior que as intrigas. E repete a frase que eu havia escrito na parede do meu quarto: Só o amor salva.
E salvou. Do cansaço e os problemas só lembrei quando você se foi. Anchieta. As outras 6 estações seguidas foram de dor e desamor. O Japeri vazio ou lotado é triste sem você do meu lado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

orgasmos poéticos

vomito um monte de palavras no meu blog. Não faço a menor ideia se fazem sentido, se há beleza, se emocionam, se despertam algo ou não.
Estão lá, derramadas. E de tão intenso fico ofegante, cansada. Essa chegada súbita e violenta dos meu líricos me tiram o ar e essa avalanche de emoção parece que é a vida me estuprando pra poetizar.

DOR AMOR, DO AMOR

Do amor eu quero
o gozo, o carinho
o sorriso, o suspiro
o surto, o gemido


Do amor eu quero
a entrega, o receber
ser livre, se deixando prender


Do amor eu quero tudo
eu faço de tudo
Mas se não houver amor
eu já não sei


Do amor somente
eu consigo viver
sem amor eu não sou nada
não como, não bebo
não levanto da cama
Não tenho nome, cpf
cartão de crédito, rg
telefone, moradia fixa

Sem amor eu me anulo
me corrompo, me corto
tropeço em mim
e caio

Sem amor me jogo do precipício
da minha existência
até me desfigurar toda
até que não sobre mais nada

Porque vida só há
com amor
e sem ele

sou só dor



Amor Ragia

Sangrei
quando não mais me quis
doeu e sangro ainda
com menos intensidade
Hoje pinga, pinga
em gotas de saudade
e quase despercebida
engano que superei
sua partida
Saibas, amor
que te esquecerei
sem hemorragias
será só saudade liquida
que terminará
assim que eu me recompor
e tua memória não mais
me causará dor
E então, o ciclo amorstrual
chegará ao fim
e se me veres um dia
notarás nitidamente
que nem mais sinto cólicas de ti.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Talvez, quem sabe

quem sabe você chega aqui, neste instante
quem sabe eu tenha motivo para não mais arrumar as malas
talvez, quem sabe

quem sabe você me pede, fica!
quem sabe você de dentro do carro grita
talvez, quem sabe

quem sabe essa solidão te irrita
quem sabe seu amor ressuscita
talvez, quem sabe

quem sabe minha passagem você rasga
quem sabe pra sua casa você me arrasta
talvez, quem sabe

e então juntinho a gente fica
a gente deita, a gente transa
depois na madrugada, eu acordo do nada
te procuro na cama e te abraço
você me diz que ainda me ama

percebo que você não me deixou partir
a gente rir, se amando
voltamos a dormir
quem sabe seja assim
talvez, quem sabe


as 
minhas loucuras 
só 
amor cura

sábado, 10 de janeiro de 2015

A Entrevista

Estava na feira de exposição de arte plásticas da cidade. Eu tinha chegado uma horas depois do início, mas deu pra curtir o minuciosamente trabalho de todos os artistas. Depois de me perguntar o que eu estava achando, me pediu para ceder uma entrevista para o canal da web que fala dos eventos da região. E após rapidamente trocar uma ideia sobre o evento, eu aceitei. Queria elogiar a feira e falar do meu ponto de vista positivo sobre esse tipo de acontecimento tão raro. Tu me pediu para te acompanhar até um local mais reservado, onde tivesse menos barulho e fui.

- Posso colocar o microfone em você?- Nesse momento eu estava sentada em um banco de frente para a câmera. Eu deixei. Como já estava com as pernas abertas por ser meu modo de sentar, ele então veio e se aproximando colocou o microfone preto no decote do meu vestido. O microfone caiu no meu colo. Foi então que olhei para ele com meus olhos devoradores de homem e falei sorrindo: - Pega!

Ele imediatamente direcionou a mão até meu colo e sorrindo também me perguntou:
- Posso mesmo?
- Você pode tudo! - Eu respondi. E nesse momento ele não mais quis pegar o microfone. Deu um passo pra trás, se virou pra câmera e tirando ela e o tripé me ordenou que o acompanhasse. Há poucos metro da li, no estacionamento, estava o carro dele. Chegando lá, foi logo colocando o que segurava na mala. Bateu forte a porta e indo pro banco traseiro me pediu para entrar. Ele ainda estava com os olhos brilhando e um sorriso frouxo de canto de boca que tentava segurar assim como aquela vontade louca que nós dois sentíamos de um agarrar o outro. De dentro do carro e eu fora, perguntou com a voz se arrastando:
- Posso te entrevistar aqui dentro?

Aquele convite era tentador demais. Não respondi. Entrei e bati a porta. Ele não me recebeu como eu esperava. Ficou me olhando e acariciando meu rosto. Fez carinho no meu cabelo. Me olhava com os olhos de quem olhava uma pintura do Van Gogh. Queria me desvendar bem aos poucos ali naquele fim de tarde dentro do seu carro. Eu tinha pressa que me tocasse, me beijasse, que tirasse logo minha calcinha. Mas ele soube intensificar minha libido ainda mais com a delicadeza do seu toque. Não demorou muito e decidiu me explorar mais de perto. Sem o empecilho do vestido. Quando vi, já estava dentro de mim e foi então que ele soube tudo, só esqueceu de perguntar sobre o evento. Esse, deixamos de lado e apreciamos a arte de amar.

sábado, 3 de janeiro de 2015

AOS SENHORES JUÍZES

chicotes e pedras
fogo nela
chutem o balde 
e deixem que morra enforcada

afinal, errastes
fostes má
quem ela pensa que é
exaltada e desequilibrada

merece a morte
vamos todos encher a praça
condenar essa errante
e erguer nossa perfeição

nós não erramos
ela sim,
não merece perdão

uma farsa, uma bruxa
temos que apedrejar 

não importa se sofres
temos é que julgar 

não queremos saber dela
só queremos aniquilar

Mais Intensidade que mulher

me chamam de mulher poema
mas de tão intensa que sou 
estou mais para mulher problema

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