terça-feira, 11 de novembro de 2014

OLHOS DE MAR

as ondas que aqueles olhos fazia
me instigaram até o dia 
que em seu rosto fui me banhar
em suas curvas e profundidades
nadei do início raso
que começa bem no cantinho
indo até onde fui parar
bem no meio mais profundo,
já estava por debaixo de suas retinas
que fizeram eu me afogar
não pedi socorro nem ajuda de salva vidas
e naquele final que descia
formando a onda dos seus olhos caídos
que logo às margens consegui voltar
em idas e vindas de suas ondas
de repente apareceu uma nuvem nebulosa
era o seu óculos que me impedia de enxergar
quando o tirei, vi novamente
sua beleza e quis me jogar
naquelas ondulações que me fizeram nadar
nos seus castanhos olhos de mar 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ESSE

Esse aperto 
que aperta o peito 
quando deito sabendo 
que amanhã o seu corpo 
não será mais o meu leito. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Triste, alegre, louca

Estou oca, ensanguentada. Abortei o amor que estava dentro de mim durante o banho e deixei descer pelo ralo. Vesti uma roupa e fui na geladeira. Bebi água, tirei a calcinha do rabo. E dei uma gargalhada de desespero. Com um pulo deitei no sofá com os pés pra cima e fiquei olhando para o teto. Me interroguei como foi possível me enganar novamente.

Fiquei no sofá me perguntando se tenho mesmo que conviver com aquele que não mais amo  por medo ou deixar todo aquele sentimento que gerei em mim deixar-se ir. Optei pela solidão, pelo meu lar nada confortável, minha telhas de aranha, infiltrações, mofos e poeiras. Tanto em casa como na alma. Levantei do sofá e liguei o som do computador. Dancei na frente do espelho me embalando com as lágrimas que escorriam em meu rosto. Não por dor, mas por ter me enganado mais uma vez. Vou dançar até cansar os pés. Estou vazia e pronta para encher-me de amor, mas só o próprio e de mais ninguém.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

POESIA NÃO É PÃO





na caixa de correio não para de chegar as contas
sem salário e sem emprego
a cabeça chega a ficar tonta,
a barriga e o estômago ronca
nada na geladeira
e a panela vazia
ela debruçada na mesa
comendo versos
e arrotando poesia 

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