segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sarau dos Lençóis

Nua deitada
de costas em sua cama
você de pé olhando, admirando
apaga o cigarro e diz que estou te inspirando.

Engatinhando vem de joelhos
vagando em meus detalhes
dos pés pequenos
calcanhar e tornozelos.

Se deita sobre mim
alisa, aprecia.
corpos quentes fazendo poesia
beijando minha nuca
e com a barba, acaricia.

morde, lambe
sem rima, nem métricas
faz de minhas curvas
a estética.

inspiração desesperada
carinhosamente safada
faz poesia em mim
debruçando seu corpo
sem licença poética.

já dentro de mim
penetrando parágrafos
seu corpo causando lirismos
gemidos e delírios
dos fios da cabeça aos pés.

os lençóis e mobílias
são públicos desse sarau
você recita seus versos
e eu escrevo em suas costas
com minhas unhas vermelhas
de cor desbotada
prosas arranhadas.

continua construindo
o poema com beijos
em minha barriga, umbigo
e em meus peitos.

passeia sua língua no jardim do meu clitóris
na borboleta da minha boceta
e em um meia nove
eu te chupo estrofes.

tu deliras, recitas
que sou toda musa tua
da tua goza, da tua prosa
dos seus olhos
do seu corpo, suas mãos.

sou toda poema
do teu prazer
do seu suor
do teu tesão.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bar da esquina

Tenho até tentado sorrir, vestir aquele belo vestido rodado. Mas as lágrimas cismam em borrar a maquiagem, meus pés cansados não aguentam mais os velhos sapatos altos. Já não quero ser sua princesa, sonhar em dormir e acordar ao seu lado. Essa sua presença vazia tem me matado todos os dias e você nem percebe o quanto dói, o modo como te beijo e sinto o gosto amargo do seu amor acomodado. Não quero mais estar ao seu lado, ter você aqui e não me encher do amor que faria minha vida ter sentido. Talvez eu não atenda mais o celular, não responda suas mensagens e se bater no portão não me encontrará. Acreditava que você era a minha única esperança de viver o tal do amor romântico, mas desisti de me enganar com sua presença vazia e o seu eu te amo automático de todos os dias. Agora meu destino é no bar da esquina onde estarei esquecendo que você existe dentro de mim.  

quarta-feira, 2 de julho de 2014

TARDE DE OUTONO


naquela tarde
de outono
a primavera dos
nossos corpos
fizeram verão
no inverno
daquela grama
que nosso amor
quis esquentar 

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