domingo, 27 de outubro de 2013

MEU QUARTO

No quarto, de noite, é que a gente desmorona. É quando os pensamentos dançam no caos. É quando as lágrimas lavam o rosto. É quando o sonho começa antes mesmo de cair no sono. Meu quarto é a materialização dos meus medos. O teto é a visão do inferno. O peso da porta é o meu espelho. É no quarto que encontro com a realidade e ouço os gritos das paredes com duras verdades!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

MEU CORPO É O PODER

tem que ser linda
mãe, profissional 
boa filha, boa esposa e amante fatal
celulites e estrias?
aberração total
''veja a mulher da revista e seja igual!''


porra, na moral, parem com esse papo 
deixe quieto meus culotes

meus mamilos nem tão rosados 
minha cintura nem tão afinada assim

com pelos, gordurinha
e peito caído
sou mulher perfeita 
pelo menos pra mim

meu corpo a mim pertence 

é bom começar a entender
não é por que transo contigo

que ele pertence a você

se saio mostrando os peitos ou as pernas

não é porque quero ser estuprada
a roupa sou eu que escolho
não venha me rotular

roupa justa e curta
não é sinônimo de ser vadia
e mesmo se eu fosse
ninguém tem o direito de me abusar

mas se isso te levar a crer que sou

pois assim é que foi ensinado 
veja bem macho alfa, 
é melhor repensar teu conceito
totalmente equivocado

não pode vê um rabo de saia
que fica logo excitado
melhor deixar seu pinto quieto
e nem venha de gracinha pro meu lado

se não tá ligado, roupa não quer dizer nada

infelizmente, lá no oriente 
o que mais tem é mulher de burca
sendo violentada

sonho com o dia que seremos libertas

dessas escravidões
desses padrões
dessas prisões

liberdade sexual

liberdade corporal 
liberdade social

chega dessa hierarquia de gêneros

tudo tão desigual
padrões de beleza
tudo tão artificial

quero liberdade sim
sou igual a você
repeito e igualdade
é difícil de entender?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SER UM NADA

Ser é o quê?
é doer, é sentir
é pele fina, coração enorme.

Ser pode ser um vazio com necessidade
pernas, braços e face.

Vazio tão profundo 
que não há o que o preencha,
vazio de existência. 

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