terça-feira, 30 de julho de 2013

CENTRAL

O amor está
no segundo vagão 
vem de trem
me encontrar na estação.

Na central, o trem ele pegou

demorou a chegar
na estação saudade
o trem, 
era parador. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Inspirando caos, respirando amor!

Vida que dói

Era só olhar nos olhos
para vê o que eles pediam
mas poucos entendiam
que raramente eles sorriam.

Alguns entenderam
E desde então
prontificaram-se a agir
tiraram do seus olhos
lágrimas de tanto rir.

Prometeu-se suportar
pois ela sabia
que teria que entender
que a vida é assim,
feita pra sorrir
mas também para doer.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mais amor, por favor!

        Angelina tinha 20 anos, militante de esquerda, decidida e forte. Moça pensante, poeta e tinha como ideal de vida revolucionar o mundo.

    Certo dia do mês de junho, juntou-se aos companheiros ativistas e foi manifestar-se nas ruas pela volta do amor. O protesto era exatamente esse, completamente a favor e em busca do resgate  do amor romântico.     - Você está bem? - Perguntou Téo apreensivo. Ele se recuperou dos sintomas e foi para casa. Entrou na rede social onde havia marcado presença no evento criado para a manifestação que participará, e lá relatou sua indignação com a forma truculenta que a polícia tratou a todos. E a primeira curtida que teve foi justamente de Angelina, que pela foto, o reconheceu e logo tratou de adiciona-lo. No caminhar da manifestação conheceu um rapaz que levava uma bandeira vermelha e uma frase que dizia: Entrego todo o meu amor à minha luta. Ele mantinha um semblante sério e apático a tudo que ocorria ao sue redor. Casais se beijavam, pessoas com os olhos brilhando de amor e encantamento por estarem de fato conseguido se reunir para lutar por algo que havia sido hostilizado pela a sociedade, que poucos ou raros sabiam fazer de forma sincera e profunda. Pois amar já não era algo comum, ninguém amava, ninguém era incentivado a amar. O mundo estava um caos, todos sofriam, relacionamentos não duravam, e estes foram reivindicar pelo renascimento do sentimento mais nobre e belo que já existiu.   Angelina não entendeu qual o sentido de amar que aquele rapaz protestava. Não era pelo amor romântico, ela não imaginava mas ele não era sequer romântico. Téo tinha a cabeça, o corpo e os membros trancafiados no chão. Sua vida era resumida nas leituras diárias de seus livros que se espalhavam todos pela cama, chão, estante e banheiro. Lia mais que comia. Era comunista fervoroso. Sua personalidade era tomada pela timidez. Téo sempre foi de poucas palavras. Acreditava em um mundo melhor, e dedicava-se a suas lutas constantes como forma de progresso para seu país. Mas não acreditava e nem pensava em sentimentos de afeto por outra pessoa. Era moço, 18 anos. E não havia conhecido ainda as delicadezas e curvas de um mulher. Muito menos havia em sua cabeça espaço para pensar nelas.    Ultima vez que havia nutrido um sentimento por alguém, tinha sido na 3° série, quando a aluna nova chegou em sua turma, mas ela de tanto ignora-lo, endureceu seu coração. Era moço bondoso, gentil e de uma inteligência ímpar.      Durante a manifestação, Angelina se dispersou dos amigos e o seguia como um cão farejador. Ele se virou em direção a ela por várias vezes e os dois trocavam olhares de estranheza, ele tentando descobrir o motivo dela estar sempre por perto, e ela tentando descobrir o motivo de ter se achado dentro de seus olhos. Ela nada sabia sobre ele, até que em meio a manifestação pacífica,  Angelina foi atingida por estilhaços de bombas de efeito moral lançadas pela polícia que por ordens do governo, mandou repreender todo que lutassem pelo amor, pois naquela sociedade era proibido amar. Téo sofria ali bem próximo dela com os efeitos das Bombas de gás lacrimogêneo. Seus olhos lacrimejavam, sentia uma sensação de queimadura na boca, coceiras no rosto, uma dor de cabeça absurda, e mal conseguia respirar.              Logo, tiros de borracha vieram em direção ao dois, ferindo Angelina bem no braço esquerdo, ele esquivou-se do ataque de ''desamor'' da polícia correndo para os cantos da avenida. Olhou para trás e conseguiu ver a moça desamparada caída sozinha no meio do corre corre e bem na mira da polícia. Ela  ferida, olhou em direção a Téo e gritou por ajuda através do olhar. Ele entendeu perfeitamente o que seus olhos apelavam e correu em sua direção, pegou-a e colocou sobre seus ombros, entraram no primeiro beco que viram. Sentaram atrás de umas caixas de papelão para se esconderem de novos ataques.- Está doendo e ardendo muito - Respondeu Angelina trêmula de dor e desespero. Eu vou te ajudar, fica calma! - Téo com sua voz rouca mas aveludada, havia feito seu coração acelerar como nunca antes! - Vamos esperar mais um pouco até dispersar mais o pessoal, acho que aqui nós estamos seguros - Disse ele.   Poucos minutos depois, ele correu com ela para o hospital mais próximo. Deixando as bandeiras e cartazes para trás. A luta pelo amor foi rompida pelo desamor.Pela crueldade, pela covardia.Enquanto corriam, pisavam em flores. Flores que tinham sido levadas para serem entregues a população. Haviam somente manifestantes feridos e alguns jornalistas por alí.      Téo se apressou e seguiu até o Hospital. Chegando lá, se depararam com outros muitos feridos. Alguns ainda estavam com seus cartazes em mãos. Outros, tinha sido arrancados brutalmente de seu desejo de luta pelo amor, pelo afeto, pela disseminação dos sentimentos mais singelos. Esses os médicos disseram que não haviam cura. A polícia havia os ferido de forma não remediável. Seriam portanto, pessoas anuladas afetivamente. Secas e descrentes no amor. Téo conseguiu uma maca para Angelina, deixou-a com a enfermeira e foi tentar fazer algo para diminuir seus sintomas. Ao voltar ela já não estava ali. Ele rodou o hospital, mas não sabia como procurar se nem havia perguntado o nome daquela bela moça morena, de sorriso doce, e olhos pretos como jabuticaba.   Ele a aceitou e iniciaram uma conversa que rendeu até a manhã do dia seguinte. Era só o começo, era só a barreira que havia sido quebrada dentro do coração do rapaz frio mas bondoso, seco mas gentil. Era só o inicio do amor sendo difundido.

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