terça-feira, 4 de junho de 2013

Poderia me informar a hora, por favor?

Ela me olhou sorrindo e levantou as mãos na altura dos olhos. Ah, aquelas mãos pequenas e delicadas, de unhas longas e pintadas de vermelho. E os olhos? Ah, os olhos. Estes que pareciam querer devorar os meus tão pequeninos.
Olhos desenhados, cílios finos, e cor castanha. Me fitavam como se quisessem ver além, como se pudesse vê minha alma, vê meus desejos mais ocultos. Os olhos primeiro me encantaram. Não eram extraordinários. Eram de um brilho intenso, como o da lua sobre o mar. Seu perfeito desenho, formava uma onda que começava fina, se alongava e eram puxados para cima nas extremidades. Grades e comunicativos. E piscavam tão lentamente que dava para balançar a cabeça como quem diz sim. Ela sabia dizer tudo só com o olhar. Mas logo quando abriu a boca para responde a pergunta que eu tinha feito, alí no ponto de ônibus. Percebí que não eram só os olhos cheio de intenções e expressividade. Seus lábios contornados traziam uma pinta arredonda no canto esquerdo da boca. - Achei a pinta um charme - Não que seus lábios não fossem. Mas eles já eram opostos ao olhos. Traçavam um desenho doce, angelical. Seu sorriso me conduzia a uma leveza de espirito, que mal conseguia perceber suas palavras. Queria poder fitar seu rosto e ir calmamente observando cada parte que formava aquela criatura encantadora. Mas o ônibus chegou. Ela partiu. E eu fiquei sentado sem lembrar de mais nada a não ser que tinha perguntado a hora e logo depois me apaixonado.

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