terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ser é doer.

O peso da porta é a minha dor. Ele impede que eu abra e saía.
Ele me mantém presa neste quarto empoeirado, sujo, cheio de fungos e memórias miseráveis.
Nesse mesmo quarto de inúmeras tentativas de suicídio fracassadas. Quarto este que me acostumei em gritar sem ser ouvida, em chorar sem ser consolada. Em sonhar sem ser motivada, em desejar e permanecer deitada. Os momentos de prazer foram efêmeros e raros, que só me resta deixá-los no passado e me conformar em estar só. Contentar-me em ser aquilo que em sí não se cabe. Que em sí sangra e sofre, por querer ser além do que não se pode ser.
Vou dormir!
O que me resta é somente a cama, o quarto, a mobília velha cheia de cupim.
Tudo está se acabando por aqui.
 Inclusive eu.

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