domingo, 27 de novembro de 2016

Peito estufado
Figura fixa na mente
Já fazia um tempo
Que o sentir não podia ser
Compartilhado

E te digo
Te abro
Te falo das coisas do peito
E do desejo de querer ficar

Falo da rosa
Espada de São jorge
Do café da manhã adoçado
com carinhos trocados

Te falo da Christina,
a gata
Faço mapa astral
Pergunto pelo santo padroeiro
Ouço até
histórias da avó

Mas nada mais interessante
Dos dias passados ao seu lado
em que te ver despido
fumar
seu primeiro cigarro
ao acordar

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

dureza

ter amado
com toda a verdade
intensidade
e bem querer

que se pode sentir
por outrem

sem retorno
nem reciprocidade

fez-me
então assim
dura

perdi a doçura
admito

mas cabe ao tempo
o retorno da leveza
que o tormento
de te amar
tirastes de mim




quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Inconfesso

Coração não escolhe
ocorre
amor chega
e extravasa

e quando Insônia,
transborda
consome

Vira face
da saudade

Mas de tudo
que faz morada ao peito
esse amor predomina receio

Amor quando
Inconfesso sentimento
Dessossega a alma
Corrói por dentro

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

saudade

ao fim, o que sobrou foi a saudade
dos dias bonitos e do chá de frutas vermelhas
do seu colo, do seu beijo e adormecer junto a ti

o sorriso que brota, ao lembrar 
saudade de te ouvir falar e por ali ficar
permaneço contigo 
nesse sentir diário que é a falta

te encontro às noites
em meus sonhos
a saudade me acompanha
se olhares bem, podes enxergar:
há muito você, ainda em mim 





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Emojis e afeto

Deixarei que
meu peito fale
Cuidarei como
se cuida da flor

Como quem rega,
Como quem zela

Ao menos que
explicação haja
Pro sentir que sinto

Pro bem
mais bem querer
Que ja tive por outrem

Sem que nada explique
Todo o afeto
que a razão desconhece

status on
fazem sorrisos
transbordarem

Emojis não são suficientes
Pra demonstrar o sentimento

Queria eu, que tu me visse
E visse em mim
as reações que lhe envio

domingo, 28 de agosto de 2016

AMAR SOZINHO

Amar assim
em silêncio
Como quem nada espera,
Em troca.
Como quem segue sabendo 
Que apesar desse inverno
Que faz sol pela manhã
mas à noite
o vento faz tremer os dentes.
Amar como o técnico que sabe
Que time que tá ganhando
não se mexe
Amar baixinho
Pra sí
Amar e dar carinho
Beijar com pena de partir
Amar sozinho
nem é assim tão ruim.
Quando se toca e sente
quem se ama
E poder no dia seguinte
Em segredo,
continuar amando
E mesmo sem a recíproca
sorrir.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CONTIDA

fiquei em 
silêncio
só para que 
ouvisse o
que gritavam 
meus olhos
enquanto 
eu olhava 
a sua boca 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ENVAIDECIDO

a teus pés
me neguei
tamanha
humilhação
a me colocar
talvez, falta de
habilidade pra
submissão
me subordinar
ou ciência que
a frieza do seu
ego envaidecido
desmerecido era
da proeza
do meu afeto
e do carinho
que guardava
para lhe entregar

terça-feira, 17 de novembro de 2015

TANTAS

sou Joana,
Joana Cristina
não sou Ana C
não sou Helena 
não sou Capitu,
não sou Diadorim.
sou e estou sendo
deveras densa
já me basta a carga
de ser tantas em mim

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

INSONIA

casa de telha
ouço pássaros
portas batendo
ouço carros
passos descendo
o morro
às pressas
vejo no escuro
do quarto velho
entrar nas brechas
da telha do teto
raios de luz
anunciam que é dia
a quem não viu
a madrugada partir
tomam café
preparam a marmita
a estação é logo ali
ouço o trem seguir
- é o japeri!
ainda não senti
minha cama
-insonia
preciso dormir.

O CANTO DAS LÁGRIMAS

palavras
navalhas
rasgavam
a alma
ofereciam
migalhas
misérias
de afeto

sobrava
lamento 
lágrimas 
de dor 
sem pudor
doavam
como se não
houvesse
coisa que 
o valha  
coração
aquele
que só
pulsava
amor

ESPELHO

tirei o vestido
o sutiã e
encarei-me 
no espelho
ainda
me via
vestida
tristeza
bordada
de angustia
tirei-me
as palavras
as ofensas
as mentiras
que me
cobriam
vendavam
ofuscavam
a visão
enxerguei-me
então
e vi vasta
imensidão
despida
refletia
só alma
e coração

sábado, 24 de outubro de 2015

ULTIMO BEIJO

o melhor beijo
de despedida
é aquele que
nos últimos
segundos as
bocas suplicam
um quê de fica
recusando
a partida

CANGOTE

alcanço o céu
no singelo
passeio do 
toque dos
seus lábios
vagarosamente
pelo pescoço
aflorando
paulatinamente
os sentidos
no cagote tu
me encharca
outros lábios
em um paraíso
de arrepios

AMOR PENA

que seja breve
que logo venha 
que seja leve
como uma pena
amor que pesa
não compensa

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

G A S L I G H T I N G

tu é louca, mulher
não quero conversar
você vê coisa onde não tem
mas eu amo você
não quero discutir
você está acabada, feia
está sempre errada
mas eu amo você
você é uma fracassada
não chegará a lugar nenhum
não consegue terminar nada
mas eu amo você
de onde você tira essas coisas?
me estressa, me tira a paciência
você é insuportável
mas eu amo você
você precisa aceitar migalhas
que tenho pra te oferecer
tu não vê que é uma pobre coitada
mas eu amo você
te dou atenção, carinho, cafuné
mas só quando eu quiser
não sou obrigado a me humilhar
tu é louca, mulher
todas são melhores
mais gostosas e mais bonitas
seu intelecto é limitado
mas eu amo você
precisa ser grata e conformada
por me ter ao seu lado
tenha certeza que sozinha
não conseguirá nada
mas eu amo você
você me suga, me cansa
não me exijas e nem reclame
(pois sou seu dono, seu homem)
mas eu amo você
te banco, te mando
tenho um cérebro
mais desenvolvido
e se ousar reclamar
eu digo:
tu é louca, mulher
mas eu amo você

APENAS A CARNE

escorre entre
minhas pernas
um gozo falso
de quem apenas
atingiu-me a carne

domingo, 4 de outubro de 2015

MÁSCARA


essa ternura
que esconde
meu sofrimento
ilude quem
me ver sorrir

essa doçura
que carrego
disfarça a dor
do desamor
que só faz ferir

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

As meias dele

Meus pés ficam gelados todas as noites. E por isso eu tinha um par de pantufas de bolinhas no seu guarda roupa. Dormimos abraçados e só nos distanciávamos pela manhã, com a entrada dos primeiros raios de sol que nos indicavam que era hora de trocar carinhos e beijos de bom dia. Era assim sempre que dormíamos juntos no apartamento dele durante aqueles dois meses de convivência. E após passar um domingo de muitas brigas, ciumes e desentendimentos, em que não dormi com minha fofa pantufa e sim com as meias cinza que ele me emprestou - que por sinal, não tinha nada de fofo nelas- me arrumei bem cedo na segunda de manhã e quando voltei para casa, percebi que as meias dele estavam juntas com minha camisola na mochila.
Mandei um sms avisando que devolveria no próximo final de semana. Ele estava distante com o passar dos dias, eu estava carente e necessitando de alguém para compartilhar os acontecimentos diário, queria ouvir sua voz, queria contar sobre minhas dores e tentar entender aquele meu caos que me perseguia quando eu dormia só. Ele combinou de vir me visitar na quinta, e não apareceu. Na sexta ele saiu com os amigos para beber. No sábado ligou dizendo que não dava mais. Sim, ele já não estava mais tão a fim de continuar comigo e eu extremamente apaixonada e mergulhada naqueles sentimentos e projeções que nutri por ele. Eu desabei e encharquei de lágrimas meu vestido florido. Ele era daquelas pessoas egoístas, com dificuldade de entender as necessidades dos outros e eu muito orgulhosa e por isso não fiz nada e aceitei sua decisão. Mas mesmo depois de tanto tempo, eu ainda durmo todas as noites com as meias dele. Só pra saber que de alguma forma ele ainda me esquenta o corpo. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

MULHER RIO

faz de mim rio 
num ereto que banha
cascatas que deságua 
em um fluxo de gozo 
as margens do meu corpo

terça-feira, 25 de agosto de 2015

De antemão

se estiver de passagem
me abrace
me pegue nas mãos
me beije a boca
me toque o corpo

mas em hipótese alguma
me toque o coração
ou terá que levar consigo
a certeza que o amor 
esqueceu as malas em meu peito 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

DESAMOR

E todo esse desamor que você me deu, eu devolvo sorrindo pro guarda da estação pela manhã enquanto desço correndo para a plataforma. Devolvo em forma de bom dia, que dou pra velhinha que esbarra em mim com seu saco de pão e um olhar doce pelas ruas do Meier. Devolvo com um abraço na minha amiga da área da limpeza da faculdade. Esse desamor eu transformo na água que rego a minha begônia depois do almoço e também no boa tarde animado que desejo pro motorista do central que pego na Dutra pra ir a maré. Devolvo com muita gargalhada e riso fácil aos meus amigos. Devolvo quando na volta pela Brasil, vejo o alaranjado do céu e chegando de volta na Dutra, vejo através da janela do central, o sol se pondo por trás das montanhas e então percebo que o amor está em tudo e não preciso esperar de ti.

sábado, 8 de agosto de 2015

Crônica de Morro Agudo

O camelô tá vendendo mochila no trem e aceitando cartão. Esse ai entende de empreendedorismo mesmo. Sair da estação de comendador e dar de cara com essa serra do vulcão, e esse sol se pondo é um calmante mais potente que rivotril. Os caras da estação estão sempre com um sorriso no rosto, deve ser por isso que meu pai trabalhou como ambulante em uma passarela por mais de 30 anos. Algo de bom deve ter nesse local de passagem. O ovo tá 2,70. Já ia me esquecendo que amanhã é dia dos pais, preciso comprar algo. Vai essa camisa preta e branca, remete ao botafogo, acho que o coroa vai gostar. Toca Ludmilla na loja, todas as moças, incluindo vendedoras e clientes, começam a disputar, sutilmente, quem canta mais bonito. Entrei na disputa do funk melody. Sai da loja sorrindo. O centro de Morro Agudo me deixa confusa com tanta gente, sons, carros, bicicletas, motos, ônibus, camelôs, barracas. Haja interferências visuais e sonoras no meu pensamento. Aqui é caótico mas eu amo saber que cheguei no meu lugar. A praça está linda com os grafites novos. Que legal, abriram um café na minha esquina, espero que prospere o negócio. Subir minha rua me cansa mais que todo o trajeto da zona sul até aqui. Nada como berrar e bater no portão, e com um sorriso mostrar pra quem abriu, que to de volta.

ESTRADA

na estrada da sensibilidade
acompanhada de medos e de dor
sozinha não sou suficiente
para seguir qualquer caminho
com esse peito vazio de amor

AFAGO

a melancolia 
faz com que eu busque 
nos abraços imaginários
o afago das dores
o alívio necessário

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

poesia concreta

 em cada curva 
           do poema
                  na métrica 
                          da poesia
                          nas entre linhas 
                  na frase 
               não dita
     há partes de mim 
ali escondida 

Mulher Poesia

na ausência
dos teus beijos
me faço poesia
pra ser lida
pelos seus lábios

domingo, 2 de agosto de 2015

FALTA

não sei se é o frio
a madrugada, a solidão
mas o amor anda fazendo falta 
pra esse cansado coração.

sábado, 1 de agosto de 2015

ESCOLHAS

se me veres corcunda
não estranhe
é que ando
pra tudo que é canto
com o peso
das minhas escolhas
que me fazem
sofrer um tanto

quinta-feira, 30 de julho de 2015

PERSONIFICAÇÃO

se me perguntarem
eu respondo e afirmo
o amor existe!
o amor tem nome, sobrenome
time do peito
gosto e ofício
o amor vai bem de saúde,
soube até que está
com os exames em dia
o amor tem redes sociais
número de telefone
 amigos e família
eu repito, o amor existe!
mas ele não sabe
não imagina

sigo fingindo, quietinha
não amar esse alguém
causador da minha insônia
e da minha agonias

quarta-feira, 29 de julho de 2015

ABUSADAMENTE APAIXONADA

Me mandou entrar, como sempre, mas me deixou ali. Pouco me importei com sua indiferença. Deitei no seu sofá. Já me sinto de casa. Tirei a calça jeans e fiquei só de calcinha e camiseta. Abri a geladeira. Peguei seu todinho. Liguei a TV e assisti um canal desenhos. Enjoei. Vesti um short e sentei na calçada. Dei boa noite pra vizinha. Falei da novela, e ela do lixeiro que não apareceu hoje. Entrei, brinquei com seu gato. Tomei banho no seu banheiro. Comi o resto da pizza que estava no congelador, espero que não fique bravo. Mexi nos seus filmes. Fucei suas revistas. Li um artigo. Botei sua camisa, e dormi na sua cama. Faço tudo no seu mundo, e talvez por isso me chame de abusada. Mas não consegui fuçar seu coração. Continuo ignoradamente apaixonada.

domingo, 19 de julho de 2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

SAGRADO

te mordo, te tenho
te sinto e faço

não te escondo
jamais te renego

te levo, te elevo
venero e guardo

e no altar de seu quarto santo
de joelhos te pago, com pecado

o que te confesso
despida e descalça

oferecendo, sem sacrifício
o meu corpo benzido

com seu suor e paixão
e conquisto no gozo do prazer

o seu santo e sagrado
perdão



segunda-feira, 29 de junho de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

SOZINHA


sem chão
me desfaço em fiapos
estou sem a paz
sem minha sorte

se foi o amor
e com ele o repouso
fiquei sem meu cais
sem meu norte

segunda-feira, 15 de junho de 2015

As férias de Juliet

Ela acordou. Era o seu primeiro dia de férias da faculdade. Sentou na cama e tocou com a ponta dos dedos dos pés no chão gelado. Sentiu um calafrio correr pelo corpo. Foi calçar o chinelo e um deles estava virado pra baixo. Pensou na mãe e sorriu. Tirou a calcinha do rabo. Abriu a janela azul para o sol iluminar sua begônia vermelha. Foi até a cozinha e colocou café na sua caneca do Marlon Brando. Voltou para o quarto e sentada na cama com seu pijama furado começou a conversar com a begônia. Fazia frio, mas o dia estava iluminado. E a planta era uma companhia ideal naquela tarde de segunda feira ociosa.

domingo, 7 de junho de 2015

AFETIVIDADE

Meu quarto tem uma estética que tem um valor emocional muito grande pra mim. A telha amarela gema com buraco de bala perdida, a janela que eu mesma pintei de azul, as paredes rabiscadas com frases minhas. 
Meu quarto é meu mundo, nele está tudo que me identifico, meus livros, minha máquina de escrever, meus filmes, quadros. Foi ele que me acolheu quando adoeci e tive que passar bastante tempo redescobrindo seus detalhes, criando vínculos com as teias de aranhas, as rachaduras na parede, saber exatamente onde estão as goteiras e poder livrar minha vó delas. O meu quarto é um local de experimentação, de ritual, de encontros, de explosão, de criação.
Pra uns é um cômodo pobre como outro qualquer. Pra mim é uma extensão do meu eu! 

PARTIDA


Quando você perceber
os erros comprarão as passagens
quando você ver
seu ego, estará me passando as bagagens
quando você lê
terei escrito durante a viagem
quando seu orgulho morrer
talvez, meu bem, já será tarde.

Buraco no teto da bala perdida

Todos os dias quando acordo, olho para o buraco de bala perdida no meu teto, vejo a luz entrar e me dou conta que é dia.
A 'luz' pode ser entendida de diversas maneiras. Essa diferença entre o total escuro do meu quarto e a luz que entra, bem fininha, através da 'violência' da bala perdida pode ser necessária para entender a vida. Entender que mudanças ocorrem quando a gente rompe algo, quebra, racha e assim adentrar a estranheza, a novidade, a consciência. Talvez sirva também, para perceber que existe um mundo lá fora. E que meu ambiente, meu mundo, minha vida esteja necessitando de uma novidade, uma renovada, e a luz que me faz enxergar isso.
Eu sou feita de rachaduras nas minhas paredes, de objetos velhos, de buracos, de rompimentos. Sou cheia de marcas, defeitos de fábrica. Eu não me importo, tenho como tendência ver beleza no meu caos.

SOU MENINA DO MORRO


Meu morro é plano
nele tem comércio, igrejas
e até bancos.
Mas para dentro do morro
não tem segurança, investimento
as crianças lá do morro
não usam a rua como divertimento.
Meu morro tem demandas
o povo é mal visto, desrespeitado
somos um povo trabalhador
mas socialmente, marginalizados.
Pelo o meu morro que tanto amo
eu brigo, eu luto
porque meu morro não é o plano
meu morro é o Agudo.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A pontinha do Nariz


Adoro quando ele encosta a ponta do nariz na lateral do meu rosto. E vai esfregando paulatinamente, com os olhos fechados, de uma ponta a outra. Deixo acontecer o ballet dos toques dele em mim. E quase sempre depois, ele segura o meu rosto com aquelas mãos macias e quentes, e começa a me beijar de forma lenta e sútil. Beijos delicados, em toda parte. Tudo isso me acalma e me faz sentir no céu. Adoro quando beija os meus olhos. E gosto ainda mais quando beija minha testa. Os gestos pequenos, os detalhes só fazem com que meu amor aumente, se é que isso seja possível.
Os dias sem os sublimes carinhos do meu amado se tornam difíceis de serem enfrentados.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SOBRE PAUSAR A VIDA

Recolhida num canto
jogada de lado
enfiada num buraco do quarto

Se escondendo do mundo
cansada dos desgastes
dos problemas e dos noticiários

Sem fome, sem sonhos
mal arrumada, mal alimentada
descabelada

Se cobre e fecha os olhos
fez da cama o refúgio
para pausar a vida
para fugir do mundo.

domingo, 24 de maio de 2015

MATE UM AMOR A PREÇO DE BANANA


veio à tona que
desejos e ambições
são maiores que afeto
em poucos palmos
de distância do meu rosto
vi a ganância matar o amor
por interesses e desejos
que afetam as relações interpessoais
fizeram de tudo, que o dinheiro compra
para assassinar o que não tem preço

quinta-feira, 14 de maio de 2015

RAMAL DA PAIXÃO

Meu coração
ia
 expresso
para a estação 
do amor
Desde que, em Anchieta
te viu na estação
meu coração
virou parador

sábado, 9 de maio de 2015

sobrevivência

a realidade me grita
ouço e vou até ela
me empurra na cama,
abre minha boca
e mete quatro cartelas 
de ansiolítico na minha goela
tudo de uma só vez
- porra, espera
tenho que mostrar pros meus que eu consegui
não é hora de eu desisti
ela, cruel, sorri
sai de de perto e eu corri
fui até a esquina
lembrei do chevete do Paulin

sem tempo de explicações, pedi
me socorre ai!
caralho, moça
fim do mês, tenho nem da gasolina
posso fazer nada por ti
já quase apagando,
ouço orações
fui então até o portão da dona Maria

bíblias, varoas e varões
ficou tudo escuro.
Acho que me fudi.
está repreendido em nome de jesus- eu ouvi.
hospital, acordei
veia furada
porrada de soro
alta dada
neguei, relutei.
voltar pra aquela desgraçada?
ela grita novamente.
corri, me tranquei no quarto,
deixei-a batendo na porta, sozinha.
acho que a realidade
quer me fazer parar

mas prefiro me trancar
reclusa e sozinha
achando forças 
no quarto caótico
pra vida
prolongar.

Ígneo

por de trás daquela barba
o menino
sereno, inócuo
que clama por abrigo.

por de trás daquele casaco
o peito
que esquenta com seus pelos
meus pequenos seios.

quando desnudos,
adormecemos.
abraçados no leito
do ígneo amor
que tecemos

terça-feira, 21 de abril de 2015

Realidade periférica


A gente aqui sonha, mas lida com enchente causada pelo valão da rua de trás. Sonha, mesmo tendo que estudar, trabalhar e procurar bicos e conseguir mais dinheiro para pagar as contas. A gente aqui sonha, mas pega o Japeri lotado às 5:50 da manhã e somos subordinados a ficar imprensados, sem conseguir se mover, e ver a cada estação entrar mais gente e assim a lágrima percorre o rosto cansado. A gente volta pra casa de trem ainda cheio, e raramente senta para terminar de ler um livro ou descansar daquela fraqueza corriqueira que bate por não ter almoçado direito. A gente rola a catraca, e transita na passarela buscando sentido entre tantos olhares perdidos na multidão de gente simples e guerreira. A gente aqui sonha, mas as vezes pensa que deve parar quando vê o semblante desesperado do chefe de família por não ter como comprar a mistura do almoço daquele dia. A gente aqui sonha, mas tem sempre o suor na testa, a lágrima nos olhos e as mãos calejadas da inchada que usamos para capinar nossos quintais, terrenos e calçadas.
A gente sonha, entre casas de telha, casas sem embolso, ruas sem asfalto e sem saneamento básico. Somos de vida dura, imigrantes nordestino, negros, brancos, pardos. A gente sonha na nossa luta diária. A gente sonha, sonha tanto que um dia ainda vamos conquistar o mundo, apesar de tudo.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

TARDE SERENA


Deixo os sapatos na lavanderia e corro descalça, na ponta dos pés como tenho costume, até seu quarto. Te espero sentada na beirada de sua cama. Quando chega, me abraça e tenta me tirar um beijo. Dai que te empurro para trás e peço que fique parado, bem na minha frente. E assim te olho, te aprecio, me arrepio de amor e de admiração. Lindo! Sim, és lindo e de tão lindo me dói. Enxugo a lágrima que subitamente escorrem até meu colo. Me sacio de te olhar e então te deixo chegar, se ajoelhar e descansar a cabeça sobre mim. Entre os afagos em seu cabelo e as enxugadas das lágrimas que teimam em cair, continuo te apreciando. E em poucos tempo, serenamente, adormeces em meu colo. E eu sonho acordada ao te ver dormir.

domingo, 29 de março de 2015

Amantes


Nem cama, sofá,
mesa, carro
chão, parede

Nenhum dos objetos, móveis
que sentiram nosso suor
que testemunharam nossos gritos
sussurros e gemidos

Nem roupas, lençóis
nem sua pele
seus pelos

Nem os poros
nem as veias
nem a epiderme

Nada saberá
do pulsar lá dentro
do orgasmo
da unha encravada em suas costas

Não
nada saberá
da loucura que é
fazer amor com você
e de amor gozar

quarta-feira, 11 de março de 2015

PLATAFORMA 8, ramal Japeri. Parte ll

Entramos de mãos dadas mas com o volume de gente fui empurrada e levada até a outro lado. Oposta pra ele. Segurando na barra de ferro, tentando esquivar o bumbum dos homens que me encaravam atrás de mim cheios de olhares de malícia. Vi um espaço para encostar as costas perto da porta. Ele me avistou de longe, todo apertado e impedido de se mover. Olhou pra mim e disse ''Eu te amo''. Deu tempo de responder o meu ''eu também amo você'' e logo foi entrando mais gente e o perdi de vista. Fiquei apreensiva. Ele desceu e eu fiquei mais seis estações sozinha. O japeri lotado me deixou sem beijo de despedida.

terça-feira, 3 de março de 2015

JOANA


Me exponho. Me mostro. Dou a cara a tapa.
Sou menina. Mulher. Bruxa. Fada.
Sou santa. Sou frigida. Sou safada.
Sou tudo o que dizem e sou nada.
Burra. Culta. Simone. Pagu
Frida. Valesca. Quebra barraco e Anitta.
Sou um homem sem pênis. 
Sou uma bixa. Sou diva.
Sapata. Crente. Humilde. Arrogante.
Pobre. Carente. Chique. Elegante. 
Sou musa da minha pia, do meu fogão e do meu tanque.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PLATAFORMA 8, ramal Japeri.


5 minutos para o trem sair. Corremos e não havia mais lugar. A todo instante descanso encostando a minha cabeça em seu ombro. A moça atrás de mim reclama, diz que estou a apertando. Talvez esteja incomodada com nossos beijos e carinhos em pleno trem lotado. Ambulantes gritam, mas estou surda. O que será que dizem? Só ouço que sua voz dizendo que me ama. Olho o seu rosto e vejo o semblante de apaixonado. Mas vejo em volta só rostos cansados, suados. Me sinto mal por um instante, por amar demais e por não ser como a maioria das pessoas que não fazem as coisas por medo do que vão falar ou pensar. Sou intensa e verdadeira. E por mais que minha consciência pesasse por saber que todos ali nos reprovavam, só quero continuar te amando.
Me coloco na sua frente, você me abraça pela cintura beijando meu pescoço sutilmente. Seguimos assim no meio da multidão. Apertadinhos, esmagados mas nos tratando de modo singelo e cheio de beleza. Eu te falo de amor, você diz que quer logo dá bisnetos ao seu avô. Eu te olho e sorrio. Recado dado e entendido. Lágrimas dançam em nossos rostos, e borra o traço do meu delineador. Quietinha levanto a cabeça após secar as lágrimas de emoção. Falamos de como seria o nosso bebê, e mesmo sabendo que não podemos ter um agora já ficamos emocionados e ansiosos com a ideia. Pausa para olhar a porta que abriu. Ricardo de Albuquerque. Começa então a despedida daquele amor que nunca termina. Você, entre beijos e olhares, me diz que não importa os outros nem as más livres. Diz que somos maior que as intrigas. E repete a frase que eu havia escrito na parede do meu quarto: Só o amor salva.
E salvou. Do cansaço e os problemas só lembrei quando você se foi. Anchieta. As outras 6 estações seguidas foram de dor e desamor. O Japeri vazio ou lotado é triste sem você do meu lado.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

orgasmos poéticos

vomito um monte de palavras no meu blog. Não faço a menor ideia se fazem sentido, se há beleza, se emocionam, se despertam algo ou não.
Estão lá, derramadas. E de tão intenso fico ofegante, cansada. Essa chegada súbita e violenta dos meu líricos me tiram o ar e essa avalanche de emoção parece que é a vida me estuprando pra poetizar.

DOR AMOR, DO AMOR

Do amor eu quero
o gozo, o carinho
o sorriso, o suspiro
o surto, o gemido


Do amor eu quero
a entrega, o receber
ser livre, se deixando prender


Do amor eu quero tudo
eu faço de tudo
Mas se não houver amor
eu já não sei


Do amor somente
eu consigo viver
sem amor eu não sou nada
não como, não bebo
não levanto da cama
Não tenho nome, cpf
cartão de crédito, rg
telefone, moradia fixa

Sem amor eu me anulo
me corrompo, me corto
tropeço em mim
e caio

Sem amor me jogo do precipício
da minha existência
até me desfigurar toda
até que não sobre mais nada

Porque vida só há
com amor
e sem ele

sou só dor



Amor Ragia

Sangrei
quando não mais me quis
doeu e sangro ainda
com menos intensidade
Hoje pinga, pinga
em gotas de saudade
e quase despercebida
engano que superei
sua partida
Saibas, amor
que te esquecerei
sem hemorragias
será só saudade liquida
que terminará
assim que eu me recompor
e tua memória não mais
me causará dor
E então, o ciclo amorstrual
chegará ao fim
e se me veres um dia
notarás nitidamente
que nem mais sinto cólicas de ti.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Talvez, quem sabe

quem sabe você chega aqui, neste instante
quem sabe eu tenha motivo para não mais arrumar as malas
talvez, quem sabe

quem sabe você me pede, fica!
quem sabe você de dentro do carro grita
talvez, quem sabe

quem sabe essa solidão te irrita
quem sabe seu amor ressuscita
talvez, quem sabe

quem sabe minha passagem você rasga
quem sabe pra sua casa você me arrasta
talvez, quem sabe

e então juntinho a gente fica
a gente deita, a gente transa
depois na madrugada, eu acordo do nada
te procuro na cama e te abraço
você me diz que ainda me ama

percebo que você não me deixou partir
a gente rir, se amando
voltamos a dormir
quem sabe seja assim
talvez, quem sabe


as 
minhas loucuras 
só 
amor cura

sábado, 10 de janeiro de 2015

A Entrevista

Estava na feira de exposição de arte plásticas da cidade. Eu tinha chegado uma horas depois do início, mas deu pra curtir o minuciosamente trabalho de todos os artistas. Depois de me perguntar o que eu estava achando, me pediu para ceder uma entrevista para o canal da web que fala dos eventos da região. E após rapidamente trocar uma ideia sobre o evento, eu aceitei. Queria elogiar a feira e falar do meu ponto de vista positivo sobre esse tipo de acontecimento tão raro. Tu me pediu para te acompanhar até um local mais reservado, onde tivesse menos barulho e fui.

- Posso colocar o microfone em você?- Nesse momento eu estava sentada em um banco de frente para a câmera. Eu deixei. Como já estava com as pernas abertas por ser meu modo de sentar, ele então veio e se aproximando colocou o microfone preto no decote do meu vestido. O microfone caiu no meu colo. Foi então que olhei para ele com meus olhos devoradores de homem e falei sorrindo: - Pega!

Ele imediatamente direcionou a mão até meu colo e sorrindo também me perguntou:
- Posso mesmo?
- Você pode tudo! - Eu respondi. E nesse momento ele não mais quis pegar o microfone. Deu um passo pra trás, se virou pra câmera e tirando ela e o tripé me ordenou que o acompanhasse. Há poucos metro da li, no estacionamento, estava o carro dele. Chegando lá, foi logo colocando o que segurava na mala. Bateu forte a porta e indo pro banco traseiro me pediu para entrar. Ele ainda estava com os olhos brilhando e um sorriso frouxo de canto de boca que tentava segurar assim como aquela vontade louca que nós dois sentíamos de um agarrar o outro. De dentro do carro e eu fora, perguntou com a voz se arrastando:
- Posso te entrevistar aqui dentro?

Aquele convite era tentador demais. Não respondi. Entrei e bati a porta. Ele não me recebeu como eu esperava. Ficou me olhando e acariciando meu rosto. Fez carinho no meu cabelo. Me olhava com os olhos de quem olhava uma pintura do Van Gogh. Queria me desvendar bem aos poucos ali naquele fim de tarde dentro do seu carro. Eu tinha pressa que me tocasse, me beijasse, que tirasse logo minha calcinha. Mas ele soube intensificar minha libido ainda mais com a delicadeza do seu toque. Não demorou muito e decidiu me explorar mais de perto. Sem o empecilho do vestido. Quando vi, já estava dentro de mim e foi então que ele soube tudo, só esqueceu de perguntar sobre o evento. Esse, deixamos de lado e apreciamos a arte de amar.

sábado, 3 de janeiro de 2015

AOS SENHORES JUÍZES

chicotes e pedras
fogo nela
chutem o balde 
e deixem que morra enforcada

afinal, errastes
fostes má
quem ela pensa que é
exaltada e desequilibrada

merece a morte
vamos todos encher a praça
condenar essa errante
e erguer nossa perfeição

nós não erramos
ela sim,
não merece perdão

uma farsa, uma bruxa
temos que apedrejar 

não importa se sofres
temos é que julgar 

não queremos saber dela
só queremos aniquilar

Mais Intensidade que mulher

me chamam de mulher poema
mas de tão intensa que sou 
estou mais para mulher problema

sábado, 27 de dezembro de 2014

oitavo andar

Estourou o limite do cartão de crédito. Comprou um lindo vestido tubinho, uma sandália com salto bem alto como nunca tivera coragem de usar antes. A maquiagem mais cara e se arrumou. Abriu a janela e sem pensar se atirou. O sonho dela era morrer em grande estilo.

SOLIDÃO E DEVANEIOS

cura com afeto
medo e abandono
mentiras e omissões
entrega e projeções
expectativas e frustrações
lingerie e corpo
cama e gozo
olhos e choro
coração e dor
mesa pra um
salto alto
batom vermelho
se amar e celebrar
depositar o amor
esperar os juros render
sacar aos poucos
investir na alma
Sou só
devaneios.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

OLHOS DE MAR

as ondas que aqueles olhos fazia
me instigaram até o dia 
que em seu rosto fui me banhar
em suas curvas e profundidades
nadei do início raso
que começa bem no cantinho
indo até onde fui parar
bem no meio mais profundo,
já estava por debaixo de suas retinas
que fizeram eu me afogar
não pedi socorro nem ajuda de salva vidas
e naquele final que descia
formando a onda dos seus olhos caídos
que logo às margens consegui voltar
em idas e vindas de suas ondas
de repente apareceu uma nuvem nebulosa
era o seu óculos que me impedia de enxergar
quando o tirei, vi novamente
sua beleza e quis me jogar
naquelas ondulações que me fizeram nadar
nos seus castanhos olhos de mar 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ESSE

Esse aperto 
que aperta o peito 
quando deito sabendo 
que amanhã o seu corpo 
não será mais o meu leito. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Triste, alegre, louca

Estou oca, ensanguentada. Abortei o amor que estava dentro de mim durante o banho e deixei descer pelo ralo. Vesti uma roupa e fui na geladeira. Bebi água, tirei a calcinha do rabo. E dei uma gargalhada de desespero. Com um pulo deitei no sofá com os pés pra cima e fiquei olhando para o teto. Me interroguei como foi possível me enganar novamente.

Fiquei no sofá me perguntando se tenho mesmo que conviver com aquele que não mais amo  por medo ou deixar todo aquele sentimento que gerei em mim deixar-se ir. Optei pela solidão, pelo meu lar nada confortável, minha telhas de aranha, infiltrações, mofos e poeiras. Tanto em casa como na alma. Levantei do sofá e liguei o som do computador. Dancei na frente do espelho me embalando com as lágrimas que escorriam em meu rosto. Não por dor, mas por ter me enganado mais uma vez. Vou dançar até cansar os pés. Estou vazia e pronta para encher-me de amor, mas só o próprio e de mais ninguém.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

POESIA NÃO É PÃO





na caixa de correio não para de chegar as contas
sem salário e sem emprego
a cabeça chega a ficar tonta,
a barriga e o estômago ronca
nada na geladeira
e a panela vazia
ela debruçada na mesa
comendo versos
e arrotando poesia 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Secos e Gozados


escreveu em meu corpo
com lápis de olho
poesias e versos soltos

corpo despido
como em um quadro branco
onde  o artista explora
cada canto

analisando a obra puxou-me
até ao espelho
criatura e o criador
veem seus reflexos

entramos em outro universo
refletidos em um labirinto poético
no fim, ex-corpos secos
gozados de versos





sexta-feira, 24 de outubro de 2014

PERDIDA

me perco 
em cada esquina
em cada calçada

procurando-te
até no vento 
que bate e seca 
minhas lágrimas

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

TRÊS VEZES AMOR

Ele diz que foi o sorriso, o olhar, o vestido florido
depois disse ter sido a poesia, a ficção, o criar
depois, da terceira vez, disse que era tudo que ela exalava em seu ser.
Ele primeiro teclou,
depois ligou
Por ultimo ele a encontrou,
tocou e deu um cheiro
Ele se diz todos os dias apaixonado
encantado e contente
insiste em dizer que a dimensão dela(s) é imensurável
e que todas que existem nela são surpreendentes
Já ela, não entende nada,
se espanta com tudo que ele diz
se acha torta, sem jeito,
desengonçada e sem cor
vive cabisbaixa, desacreditando em si
apesar de tudo ela sorri,
por ter se achado nos braços do seu rapaz
e por poder dizer que vive um lindo amor

-

-